Evair´s message Lea el mensaje de Evair
Messagio Del Evair Le message d'Evair

Tudo começou em um campo de Várzea de Crisólia, município de Ouro fino (MG). Evair vestia a camisa 10. Isso, claro quando tinha dinheiro para entrar em campo vestindo alguma coisa. A situação era difícil para a família Paulino, até que o filho deu o grande salto para o sucesso no futebol.
Rui Palomo, um amigo de seu José, pai de Evair, havia se acostumado a ver Evair brilhando no campo de várzea da cidade e resolveu levá-lo para um teste no Guarani.
O cunhado de Palomo, Clóvis Cabrino, era um dos diretores do clube campineiro e poderia facilitar as coisas. Ele garantia que a situação seria bem diferente da vez em que Evair tentou a sorte no São Paulo, em 1979.

- Fiz um teste no Tricolor mas acabei recusado na peneira. Não pude jogar no Morumbi - lembra Evair.
Seu clube de coração não era o São Paulo. Santista na infância, o menino só não jogava peladas na várzea com a camisa do time de Pelé porque a família não tinha dinheiro para comprar o uniforme. No Guarani, passou com folga na peneira e começou a jogar na mesma posição dos tempos da várzea: meia-esquerda. Mas a vida não era fácil. Evair deixou os pais em Minas Gerais para viver embaixo das arquibancadas do Brinco de Ouro.

Vivia na companhia de outros colegas que brilharam nos campos anos mais tarde: o volante Tosin, que atuou no Corinthians, e o ponta João Paulo, ex-Seleção, eram seus principais companheiros.
Antes deles, gente famosa já havia passado por ali, como o zagueiro Julio César e o centroavante Careca. Isso aumentava a esperança de que o sucesso não tardaria.

Dificuldades
Fazia frio no alojamento e as dificuldades aumentaram quando a diretoria cortou o lanche noturno da garotada. A ajuda de custo inferior a um salário mínimo, muitas vezes não era suficiente nem para comer um lanche.
- Algumas noites foram bastante difíceis - lembra Evair.

A história começou a mudar em 1984, quando o técnico Lori Sandri o promoveu aos profissionais. De cara, Evair trocou a camisa 10 pela 9. O aprendiz de centroavante ficou preocupado. Ele sabia que não era o jogador mais perfeito do planeta para a armação de jogadas, e a necessidade de fazer gols podia torná-lo um alvo fácil para a torcida acabar com sua carreira. A estréia aconteceu contra a Inter-SP, pela Copa Rayovac, um torneio amistoso entre clubes eliminados do Brasileirão.
- "Jogávamos com uma bola amarela", lembra Evair.

Os gols começaram a sair. Dois anos depois, o país inteiro descobriu o centroavante que duelou com Careca pela artilharia do Campeonato Brasileiro. No final, deu Careca: 25 X 24. Daí pra frente a vida do craque que saiu do interior de Minas nunca mais foi a mesma.

Em 1987 foi convocado para a seleção brasileira campeã pan-americana. Em 1988 foi contratado pelo Atalanta da Itália onde permaneceu até 1991 quando foi contratado pelo Palmeiras em uma transação que levou Careca Bianchesi para o time italiano. Teve um começo complicado. Permaneceu cerca de cinco meses treinando em separado, após ser afastado do elenco alviverde por "deficiência técnica". "Tinha acabado de voltar da Itália e sofri muito. Recebia os salários, mas não podia trabalhar. Foi, sem dúvida, uma situação deprimente", conta o craque.

Com a contratação de Otacílio Gonçalves, voltou novamente a ser titular e o principal jogador na campanha vitoriosa que levou o time ao título paulista, depois de quase 17 anos de jejum.

Evair virou herói e ganhou o apelido que o acompanharia por todos os gramados do mundo. Naquele dia 12 de junho de 1993, ele deixou de ser Evair Aparecido Paulino para se tornar o inesquecível 'El Matador', o maior goleador da equipe alviverde nos anos 90. O sucesso no Verdão valeu a Evair uma convocação para a seleção brasileira na Copa América de 93 e nos jogos das eliminatórias para a Copa de 94. O artilheiro disputou 24 jogos com a camisa canarinho e marcou seis gols.

Mas, Evair não foi convocado para a disputa da Copa do Mundo de 1994 e teve de assistir à competição pela televisão. Uma decepção que o atacante não esconde de ninguém.

De 1994 a 1996 jogou no futebol japonês pelo Yokohama Flugels. De volta ao Brasil, esteve no Atlético Mineiro e no Vasco em 1997; jogou pela Portuguesa no ano de 1998, e retornou para o Palmeiras em 1999, para ser campeão da Copa Libertadores da América. Transferiu-se para o São Paulo em meados de 1999 e no mesmo ano ainda foi para o Goiás. Em 2001 jogou pelo Coritiba e retornou para o Goiás em 2002. Em 2003 esteve atuando por aquele que foi seu ultimo clube como jogador o Figueirense Futebol Clube de Santa Catarina. Clube onde entrou definitivamente para a história dos Campeonatos Brasileiros quando marcou seu centésimo gol na competicão na vitória por 2X1 contra Grêmio em 01/06/2003.

Devido a problemas de saúde de seu pai, Evair resolveu antecipar o encerramento de sua carreira de Dezembro para Agosto de 2003.

E agora?
Agora os próximos desafios serão fora de campo como treinador. Mas isto é uma outra história que estaremos contando aqui neste site.